sábado, 25 de abril de 2015

Por que eu leio

Fonte: Acessado em blogdacarambaia.com.br, em 22 de março de 2015

          Leio porque há algo além disso. Disso aqui e disso daí. Tem de haver algo mais. Algo inalcançável e, ao mesmo tempo, capturado nas páginas, eternizado na tinta, contido à força pelas capas e cola e tecido. Leio porque há outros mundos, outros lugares, outras paisagens e quero estar lá. Mas preciso estar aqui. Leio porque há os sussurros. Porque aprendo, porque recebo, porque almejo. Leio para me distrair. Leio distraída. Leio porque mereço rir e chorar e ser feliz e desejar que as páginas não acabem jamais. E porque namoro as capas dos livros. Leio porque está frio e estou só. Para o mundo fazer sentido. Para que o mundo suma. Porque meu amor pelos Veríssimos nunca se altera. Leio porque odeio, absolutamente odeio, o calor. Porque sinto tanto medo.

          Leio, leio, leio, leio porque não há nada a temer. E enquanto espero a água ferver, leio porque fui eu que traduzi, porque o Almeida Reis fez um livro novo, porque procuro por uma passagem específica. Leio, basicamente, porque esse livro era do Alexandre. Leio porque acabo de receber o livro novo do Idelber. Porque meu irmão mandou e eu leio tudo que ele me manda ler. Leio porque jurei a bandeira e me juntei às tropas. Para me sentir viva. Para me sentir sã. Para me sentir amada. Para amar.

          Leio porque esse livro é da minha mãe, que me ensinou a preferir os ensaios aos romances. Porque um amigo escreveu, porque desejo gravar todas as cores em minhas retinas, porque o som está alto demais. Leio porque a vida é essa. Porque faço parte dos meus livros. Leio por vários motivos e pessoas. Porque a Zélia Gattai escreveu coisas tão lindas. Porque o Nelsinho fez um livro perfeito, que mora na minha bolsa, porque o Char usa cédulas de dinheiro antigo como marcador.

          Leio, leio, leio, porque Mau citou um artigo, a Ryta abriu um sebo, a Chris ligou chorando no meio do parágrafo, a Silvana me mostrou, a Esther acha esse autor importante. Leio porque vi a entrevista do autor. Leio porque preciso entender ou esquecer, dominar, superar ou deixar para lá, capturar o sentido ou admitir que não entendi nada.

          Leio todos os dias, muitas horas, vou e volto, grifo passagens inteiras, leio e releio, anoto nas margens, futuco a internet, namoro a foto do autor, copio frases na agenda, suspiro. Leio porque não sei nada, porque sou uma heroína, porque perdi o celular mais uma vez, porque sou a vilã, porque sou sábia, besta, justa, inteligente, espertinha, burra como uma porta fechada; porque procuro uma saída, porque hei de morrer como uma traidora.

          Leio porque a Andréa despejou uma pilha de livros aqui. Porque meu ateísmo comporta, adora e não abandona Santo Agostinho. Leio porque depois vou dar o livro para a Ana Paula, ou para o Cláudio, ou para o Peter. Porque preciso ficar sozinha. Leio porque não suporto ficar sozinha, nunca, nunca, nunca.

          Leio porque a história virou filme, mas o livro é melhor. Porque os dias têm sido um presente, porque a Elô ama a Inês, porque a Maloca me leva para passear e tomar café, porque são 3h da manhã e meu ouvido dói tanto que acho que vou levitar. Leio porque o Max sabe do livro que estou escrevendo e me encontrou uma nova fonte de pesquisa, porque a Verônica me ama e me dá livros sobre o Aníbal de presente.

          Leio porque minha editora é a Helena, porque a Maliu comprou a coleção toda, porque eu fiz queijo quente, porque é a coluna da Cora Rónai, porque Sexta-Feira o Rabino Acordou Tarde. Não posso evitar de ler porque a Julia não para de encontrar links importantes. Leio porque tinha pontos sobrando na livraria. Para minha surpresa, leio porque sou capaz de mudar. E não há nada lá fora, nem depois do oceano, nem debaixo da cama, nem em lugar nenhum. Leio porque nem tudo está perdido.



 *Para Andréa Kogan, que me deu o mote. Fal Azevedo, escritora e tradutora.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Escola Eulina Augusta promove Sarau “Ou Isto ou Aquilo”

          Na maioria das vezes, o papel da literatura é atiçar questionamentos, suscitar o imaginário da criança, fazer perguntas.  Das interrogações mais complexas até as escolhas mais cotidianas, como comprar um doce ou economizar dinheiro, colocar uma luva ou por um anel.

          Cecília Meirelles, escritora e fundadora da primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro no ano de 1934, foi a homenageada no Sarau “Ou Isto ou Aquilo” - no Dia Nacional do Livro Infantil, na Escola Municipal Eulina Augusta.  A autora de um dos mais belos e importantes livros de poesia para criança foi a homenageada no sábado do dia 18 de abril de 2015, com um cenário encantador criado especialmente para a data, tão especial.  Na condução do cerimonial estava o

          Que a poesia contribua para que as crianças do bairro de Nova Esperança saiba, sempre, fazer boas escolhas. 





Os cupcakes para a degustação inspirados no poema "A Lua é do Raul"



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Escola Jussier Santos e suas "Vivências Literárias"

          Os números não guardam espaço para o otimismo. Quando toma-se conhecimento dos dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, da Fundação Pró-Livro, vemos que a população brasileira, cada vez mais, troca o hábito de ler por atividades de entretenimento como ver televisão, assistir a filmes e navegar na rede de computadores.

          Para reverter essas estatísticas, sabemos que, para formarmos um país de leitores, precisamos fortificar a promoção da leitura nas bibliotecas escolares, extrapolar o muro das escolas e adentrar às casas.

          Mas quando tomamos conhecimento de ações como o “Literatura em Minha Casa”, do Projeto Vivências Literárias, da Escola Municipal Jussier Santos, somos assaltados por otimismo.  O projeto tem como principal objetivo minimizar essas tristes estatísticas, proporcionando aos familiares o acesso a leitura literária, e é conduzido pela mediadora de leitura Jenny Aires da instituição, com apoio do corpo docente.  No dia 14 de abril, foi a vez da aluna Andrielly; no dia 17, a família da aluna Letícia Oliveira acolheu a "Cesta Literária". Parabéns a escola por tão bela iniciativa!


Família Oliveira recepciona a Cesta

A recepção da família

A apresentação da leitura

sábado, 18 de abril de 2015

Escola Íris de Almeida promove "Circo Literário"

          O circo foi o cenário:  assim como ele é, colorido e encantador, sob a grande lona que serve de ambiente e de céu.  O Dia Nacional do Livro Infantil foi o tema, já que aconteceu na manhã do dia 17 de abril de 2015, data que antecede a comemoração. E a protagonista estava no palco, junto a tantas outras estrelas que o seguravam nas mãos:  crianças do 2º ano da Escola Municipal Íris de Almeida e o livro!

          A iniciativa brilhante da mediadora Francilene Nunes de promover o “Circo Literário” para além das paredes da Biblioteca Escolar José Xavier Cortez aconteceu no circo do Palhaço Xereta, no bairro vizinho à escola.  Entre um ato coreografado e outro, uma palhaçada e outra, poemas de Weid Sousa, da sua obra “O Circo de Poesias” e trechos da obra de Monteiro Lobato.


A chegada

Palhaço Xereta e o livro de Weid Sousa
A leitura de Lobato feita pelos seus personagens

A leitura

Um espetáculo particular para as crianças do Íris de Almeida
  
          Durante muitos anos, a arte circense encanta com seus espetáculos que exibem habilidades incríveis.  Para ser um trapezista de verdade, haja equilíbrio na corda bamba; para ser mágico, é mister que iluda o expectador com rapidez e habilidade; para ser um palhaço, é preciso entreter com alegria e energia o público presente; e, para ser cidadão, é necessário que se leia!  A Escola Íris de Almeida entende o seu propósito e cumpre seu papel!  

quinta-feira, 16 de abril de 2015

IDE promove Fórum da Rede Potiguar de Escolas Leitoras

          Um dos objetivos do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) – parceiro do Projeto “Parnamirim, um rio que flui para o mar da leitura” é acompanhar o desenvolvimento da legislação vigente, defendendo sua correta aplicação. Assessorar e participar da formulação e da execução dessas e de outras políticas públicas.         

          Pois bem.  No dia 16 de abril, aconteceu o Fórum Potiguar de Escolas Leitoras, o primeiro do ano de 2015.

          O dia a acontecer o fórum não é escolhido à toa, trata-se de uma homenagem a Monteiro Lobato, o maior nome da Literatura Infantil Brasileira, que aniversaria no dia 18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil.  O local também não é selecionado sem propósitos, na “Casa do Povo”: a Assembleia Legislativa é o Poder responsável pela elaboração das Leis Estaduais.  


Isaac Roberto, da Escola Municipal Luzanira Maria, de Parnamirim, fez a leitura pública do trecho da obra de Lobato      “O Poço do Visconde”.
          
         O primeiro painel, chamado “Planos e práticas para implementar a Lei Federal 12.244/10 nas escolas”, foram convidados ao debate a Profª.Claudia Santa Rosa, que falou sobre a necessidade de pensarmos a biblioteca como um espaço de docência: a vereadora Bezerra Guerreiro, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Livro e da Leitura da Câmara Municipal de Natal; o deputado Fernando Mineiro, representante da Assembleia Legislativa do RN; a professora Erileide Maria Oliveira Rocha, representante da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura; a Secretária de Educação do Município de Natal, a Profª Justina Iva e Vandilma Maria de Oliveira, Secretária de Educação e Cultura de Parnamirim. 
A primeira mesa, coordenado pela Profª Claudia Santa Rosa
          Na fala de Vandilma, a Profª relembrou que erigir uma biblioteca não se restringe à construção do equipamento e compra dos acervos, mas implica, ainda, na demanda de profissionais qualificados para o funcionamento adequado destas, permitindo assim a construção de uma cultura leitora consistente.  E nisso muito temos avançado.


Profª Vandilma compartilha as memórias de infância da escritora Fanny Abramovich junto aos livros
          A segunda mesa contou com a presença da querida professora escritora Clotilde Tavares, no bate-papo “Livros, leitura e prazer”, ocasião em que também fez o lançamento do livro “O Monstro das Sete Bocas”.

O público presente
 

          A lei completou cinco anos de legitimação e se confunde, em Parnamirim, com a parceria efetivada com o IDE, em 2010, apesar da luta política ter uma trajetória muito mais ampla e densa, pois já se sabia que há altos preços sociais pagos por causa desse baixo desempenho do povo ao não conviver com o livro.  Se o Brasil tem avançado em políticas públicas em relação a nobre causa, Parnamirim coleciona grandes vitórias na área do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas escolares.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Leitura: um santo remédio para a saúde

          Conta a lenda que, na antiga Pérsia,o rei Shariar descobriu ter sido traído pela esposa e, então, toma a seguinte decisão: todas as noites, se casaria com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenaria a sua execução, para nunca mais ser traído. E assim foi por três longos anos.  Um dia, a bela e astuta Sherazade, decide casar-se com o rei. E assim aconteceu. Ela escapa da morte contando histórias que fazem o rei dormir. Ansiando para saber o final de cada história, e, agradecido por ela ter resolvido sua dificuldade de dormir, ele poupa a sua vida, contabilizando mil e uma noites, até que desiste da execução.

          A constatação é clínica: as páginas de um livro são santos remédios para a insônia e para tantos outros males.  Talvez por esse motivo, o “Conexão Viver Bem”, uma iniciativa da TV Pontanegra, convidou o Projeto “Parnamirim, um rio que flui para o mar da leitura” para participar de uma tarde dedicada à saúde no dia 11 de abril de 2015. 

          Crianças das Escolas Luzanira Maria, Edmo Pinheiro e Antônio Basílio visitaram a Tenda Literária e receberam porções valiosas literárias distribuídas gratuitamente por mediadores de leitura que se dispuseram à colaboração.  Eram grupos montados aqui e ali, embaixo do agradável caramanchão do Parque.  As fotos dão conta do momento saudável que foi vivido:





         Entendendo o valor da saúde, a Tenda Literária foi montada embaixo de uma árvore para oferecer leitura para crianças e adultos. Entre receitas, aparelhos e medidores de pressão arterial, estavam os livros!  Entre educadores físicos, enfermeiros e nutricionistas, estavam o Palhaço Leiturino, as crianças e dezenas de mediadores de leitura: todos entendendo que a leitura é um santo remédio para a saúde!


sábado, 11 de abril de 2015

Crianças do CMEI Djanira da Mota visitam a Biblioteca da Cidade da Criança

          Já pensou em uma Cidade com instalações voltadas para as crianças?  Tudo pensado para que elas se desenvolvam integralmente, com muitas opções, verde e outras cores também, leveza à sua disposição?

          Talvez essa opção de lazer exista na cidade de Natal.  É exatamente a "Cidade da Criança": uma área verde inaugurada há quase 5 décadas e reaberta há poucos meses.

           Crianças do Centro Infantil Djanira da Mota, acompanhadas pela mediadora de leitura Simone Leite Peixoto e outras professoras da instituição, visitaram, neste último dia 9 de abril, a Cidade da Criança.  Quase como munícipes do lugar, divertiram-se no playground, andaram pela lagoa Manoel Felipe, e, obviamente, visitaram a Biblioteca Infanto-juvenil Miriam Coeli, no dia 9 de abril, data em que se celebra a importância desse equipamento tão necessário.



Profª Simone faz a mediação


A equipe docente do Djanira da Mota

          Sabe aquela cidade idealizada por Lobato: "Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar"?  A esperança é que um dia esta cidade se estabeleça: com pequeninas mãos nos livros, com livros às mãos das crianças.