terça-feira, 15 de julho de 2014

Agendem!



          Temas urgentes, como a promoção da leitura, não decorrem apenas da atuação do Estado, mas são de responsabilidade de todos, o Projeto “Parnamirim, um rio que flui para o mar da leitura” tem, para solucionar e/ou minimizar o problema, estabelecido parcerias, como a do SESC, através do projeto “Cultura SESC na Escola".

          O evento consiste em um dia inteiro a oferecer oficinas, riquíssimas, cada uma na sua abordagem, como de Fábulas, Causos Nordestinos, Literatura Cantada, Poesia, Cordel na Matemática e outras mais. Um workshop é oferecido, em especial, aos mediadores de leitura.

          As datas e locais confirmados para a próxima edição são:

Escola Municipal Osmundo Faria, dia 25 de julho, das 7h às 17h, com abertura no dia 24 de julho, às 19h, no Auditório Vinicius de Medeiros, com público da Escola Municipal Nestor Lima e Augusto Severo (EJA). 

Escola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes, dia 10 de Outubro, das 7h às 17h, com abertura com abertura no dia 9 de outubro, às 19h, no Auditório Vinicius de Medeiros, com público da Escola Municipal Augusto Severo (EJA).

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O trabalho, o Rio, a Poesia

         
          Todas as profissões tem sua importância.  Essa foi a máxima que o Projeto “Parnamirim, um rio que flui para o mar da leitura” utilizou para celebrar o Dia 1º de Maio.  
           
          Cada um na sua área de atuação, pois é a poesia que nos impulsiona e nos fortalece ao trabalho.  O Sarau foi intitulado "Artes e Ofícios: um Sarau de Aprendizes para Mestres".

          Ora, se a medicina contribui para curar doenças, a poesia ajuda a restaurar a alma; se os maquinistas encurtam distâncias, é a poesia que nos leva para mais perto de Deus. Juntos: juízes e a poesia estabelecem a verdade; carteiros e poesias transportam recados; professores e poesias ensinam princípios.  Se formos sensíveis, o relojoeiro verá a poesia da vida nos ponteiros do relógio, e assim também o fará o pescador com suas tarrafas.

          Não há muito o que dizer: apenas que se tratou de um evento singular na história de nosso país.  As honras seguem com os devidos registros fotográficos:





  • Para aqueles que encurtam as distâncias através dos trilhos de aço, dedicamos o poema “Trem de Ferro”, de Manuel Bandeira, homenagem feita pela Escola Municipal Maria de Jesus ao maquinista José Valmi Torres.




Para os que se esmeram na precisão das horas, dedicamos o texto poético de Eclesiastes capítulo 3, homenagem feita pela Escola Municipal Enedina Eduardo do Nascimento ao relojoeiro Edgar Francisco Ferreira.






Para aqueles que salvam vidas, com muita dedicação, curam feridas, dedicado o poema “Médico”, de Léo Cunha, homenagem feita pela Escola Municipal Jussier Santos ao médico Uraquitan Lopes de Sousa.






Para os que prepararam quitutes, sem perder a doçura, o poema “A Cozinheira”, de Roseana Murray, homenagem feita pela Escola Municipal Eulina Augusta para a doceira D. Maria Nazaré de Oliveira Francisco.

 




        


Para os que servem à pátria, com destemor, trecho da obra “O Pequeno Príncipe”, de Saint Exupéry, homenagem feita pela Escola Municipal Cícero Melo ao militar Cel. André Luís Gomes Monteiro.






  • Para os que lidam, na sua vida diária, com a temática da morte, o poema “Tributo ao Coveiro” de José de Castro, homenagem feita pela Escola Municipal Francisca Bezerra a o coveiro Hélio Severiano de Medeiros.




Para aqueles que trazem à cena as gargalhadas, o poema “Comparsa do Riso”, de Bernardo de Mendonça e a música “Sonhos de um Palhaço” de Antônio Marcos, homenagens feitas pela Escola Municipal Silvino Bezerra e o Prof. Neemias Damasceno, com a participação do escritor e artista Francisco Martins a Júlio César, o Palhaço “Fininho”.





  • Para aqueles que fazem do socorro uma causa nobre, dedicamos o poema “Tributo ao Bombeiro”, de M. M. Portella, homenagem feita pela Escola Municipal Maria Francinete ao bombeiro Cel. Elizeu Dantas.




  • Para os que servem por detrás de um balcão, os bodegueiros, dedicamos o poema “Parafuso de Cabo de Serrote”, de Jessier Quirino, homenagem feita pela Escola Municipal Augusto Severo ao comerciante Emídio Alves da Silva. 





  • Para os que fisgam peixes em longas viagens ao mar, a música “Praieira dos meus amores”, de Othoniel Menezes, homenagem feita pela Escola Municipal Eva Lúcia ao pescador Etonis de Moura Xavier.






Para as que trazem vidas, através de abençoadas mãos, o poema “Parteira”, de José de Castro, homenagem in memoriam, feita pela Prof.ª Marliete Farias, a Rosa Fernandes.  
 



Para os que labutam pelo estabelecimento da justiça, o trecho poético do “Sermão da Montanha”, em Mateus capítulo 5, homenagem feita pela Escola Municipal ao Juiz de Direito Valter Antônio Silva Flor Júnior.
 



Para os que inspiram os tantos ofícios, os professores, o poema “Eva viu a Uva”, do professor cordelista Hailton Mangabeira, homenagem feita pela Escola Municipal Manoel de Paiva para a Prof.ª Luciene Soares.





Para os que juntam o que a humanidade descarta, o poema “Tributo ao Gari”, do Prof. Geraldo Ribeiro Tavares, homenagem feita pela Escola Municipal Alzelina Sena ao gari Benedito José Ferreira.





  • Para os que transportam notícias e saudades, o poema “Todas as Cartas de Amor”, de Fernando Pessoa e a música “Devolva-me” de Adriana Calcanhoto, homenagem feita pela Escola Municipal Hélio Galvão e Eulina Augusta, respectivamente, ao carteiro Raul Francisco de Oliveira.   
 


       

  • Para os nobres cidadãos que repousam, após um tempo de lida, os aposentados, o poema “Mané do Riachão”, de Patativa do Assaré, homenagem feita pela Escola Municipal Jacira Medeiros.  
       









terça-feira, 8 de julho de 2014

Promoção da Leitura: 6 Idéias (Por Ana Garralón)

Fonte: revistaemilia.com.br, acessado em 6 de junho de 2014


          Há alguns anos, um dos temas de discussão mais interessantes e intensos era “promoção da leitura”. Sob essa denominação se justificava quase qualquer atividade e muitas vezes assistimos a discussões das mais extravagantes sobre teorias relacionadas ao incentivo à leitura. Desde aqueles tempos, gosto de colecionar testemunhos de gente relatando suas primeiras experiências leitoras, onde se observam as curiosas maneiras de iniciar-se e também a variedade, quantidade e as obsessões que marcaram o início da vida leitora. Muitos desses relatos são de escritores, mas também há os de cientistas e de leitores comuns. Animo-me a iniciar uma série de textos breves para mostrar que, às vezes, um pequeno gesto é suficiente para despertar uma paixão.


1. “Devorava todos os livros, folhetos e pequenas obras de qualquer espécie que caíam em minhas mãos. Sem discernir, sempre, com clareza, a diferença entre um manual de física recreativa onde se afirmava que um espelho, um cômodo limpo e claro e uma mente desocupada eram suficientes para descobrir a natureza da luz, e os mistérios, não menos impenetráveis de O escaravelho de ouro, que descobri ao acaso nas minhas leituras noturnas, em uma coleção de diminutos livros no qual a divulgação fantástica e os relatos de terror se alternavam em uma ordem e em um arranjo duvidoso, que parecia satisfazer meus confusos anseios infantis.”


Juan Pedro Quiñonero
Retrato del artista en el destierro
(Edicones Corts, 2003)



2.“Em uma ocasião, papai se ofereceu para pagar-me para ler: cinco dólares por livro. Me disse que pegasse um livro da estante do salão, que ia do piso ao teto. Encontrei O chamado selvagem, de Jack London. Gostava das cores da capa. Papai baixou o livro e me deu, dizendo.  – Este cara foi um grande escritor. Escolheu bem.  Sessenta dias mais tarde havia devorado cinco das novelas de London. Estava preso para sempre”.


Dan Fante
Fante, um legado de escritura, alcohol y supervivência
(Sajalín  Editores, 2012)



3.“Seguindo seu conselho adquiri uma volumosa Geografia pitoresca ilustrada com lâminas e fotografias, que foi minha leitura favorita por dois ou três anos. Graças a ela, sabia de memória a extensão, população, capital, principais cidades, status jurídico e riquezas naturais de todos os países do mundo. (...) No transcurso dos anos de colégio o conteúdo de minhas leituras tinha se modificado: a afeição pelos livrinhos da coleção Majurita foi seguida pela descoberta dos personagens de Elena Fortún – tio Rodrigo, Célia, Cuchifritín – para passar rapidamente para Emilio y los detectives e, principalmente, para a série ilustrada de Aventuras de Guilhermo, provavelmente uma das melhores do gênero. Meu interesse por Julio Verne e Salgari foi algo posterior: consequência direta de minha frequência aos cinemas do bairro em que se projetavam filmes de aventura e, ao final das contas, de escassa duração.”


Juan Goytisolo
Memorias
(Península 20012)



4.“Aos dois anos me ensinaram que qualquer cômodo de nossa casa, a qualquer hora do dia, podia ser ocupado para ler, e principalmente para fazê-lo em voz alta a quem quisesse escutar. Minha mãe lia para mim. Costumava ler pela manhã no dormitório grande, juntas as duas em uma cadeira de balanço que rangia ao compasso de nossos movimentos, como uma cigarra que acompanhava o desenvolvimento do relato. Lia para mim no refeitório durante as tardes de inverno, diante do fogão à lenha, e a história era terminada pelo relógio com seu cuco, e lia a noite quando me deitava. Creio que não lhe dei um único respiro. As vezes lia para mim até mesmo na cozinha, enquanto batia manteiga e o som do pilão soava no ritmo do conto, qualquer que escolhesse. Sonhava que ela lia para mim enquanto eu batia a manteiga; uma vez decidiu contentar-me, mas o conto terminou sem que eu tivesse podido coalhá-la. (...) Assustei e decepecionei-me ao saber que os livros de contos são escritos por pessoas e não maravilhas da natureza que brotam como a erva.  Contudo, alheia a sua procedência, não me recordo um só momento em que não estivesse enamorada deles: dos próprios livros, das capas, da encadernação e do papel em que foram impressos, de seu cheiro e de seu peso...”.


Eudora Welty
La palabra heredada
(Impedimenta, 2012)



5.“Quarta-feira, 12 de outubro. Folheamos os absurdos livros de leitura (para crianças que aprendem a ler) do peronismo. Digo que eu aprendi a ler com o Veo y leo. Borges acredita ter começado com El nene. BIOY: “Quando criança eu era muito snob e não lia os livros da Biblioteca Araluce porque eram obras famosas, adaptadas para crianças (lia livros para crianças, como Pinóquio; mas não admitia obras para adultos adaptadas para crianças)”. BORGES: Comigo se passava algo parecido. Uma vez lia com muito orgulho uma História da Grécia até que vi que na capa dizia Adaptada para crianças”.


Adolfo Bioy Casares
Borges
(Backlist, 2011)



6.“Devo acrescentar que na minha casa livros de recreio não eram consentidos. (...) Um dia, explorando meus domínios escorregadios telha acima me aproximei da janela de um sótão do vizinho confeiteiro e contemplei com deliciosa surpresa, ao lado de trastes velhos e de alguns canudos cobertos com doces e frutas secas, uma copiosa e variadíssima coleção de novelas, versos, histórias e relatos de viagem. Ali estavam, tentando minha ardente curiosidade, todas as obras que tinha ouvido nomear e celebrar e muitas outras admiráveis de cuja existência eu nem sequer suspeitava. (...) Diante de tão feliz acontecimento fiquei pleno de emoção durante alguns minutos. Passada a surpresa e decidido a aproveitar de minha boa sorte, pus-me a pensar como exploraria aquele inestimável tesouro, evitando as suspeitas do dono e as pegadas de meus passos pelo sótão. (...) Depois de muito refletir, decidi dar o primeiro golpe de manhã cedo, enquanto os inquilinos dormiam, e pegar de um em um os livros marcados com o código, repondo cada volume no mesmo lugar da prateleira. Quem será capaz de avaliar o que gozei com aquelas saborosíssimas leituras! Tão entusiasmado e alegre estava que me esquecia de todas as vulgares necessidades da vida material.”


Santiago Ramón y Cajal
Cuando yo era nino
(PUZ, 2007)



*Originalmente publicado em anatarambana.blogspot.com, quarta-feira, 28 de novembro de 2012.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Inauguração de Bibliotecas Escolares preenchem agenda de 2014



          Pela tradicional definição, bibliotecas são espaços físicos em que se guardam livros. 

          Porém, em Parnamirim, há muito esse conceito se desfez.  Não vemos mais, em nossas escolas, lugares poeirentos, sombrios e silenciosos, onde é rara a presença de um leitor, apenas um ‘cofre de livros”.  Pelo contrário, o leitor, ou o futuro leitor, é a razão de ser desses nobres espaços.

          O segundo semestre de 2014 será um tempo especial para as bibliotecas escolares ligadas ao Projeto “Parnamirim, um rio que flui para o mar da leitura”.  Teremos quatro inaugurações em nossa cidade, nada mais coerente do que fortalecer o conceito da leitura no Brasil, uma vez que, ainda, temos índices tímidos na aprendizagem.

          Em reunião ocorrida no dia 23 de junho de 2014, com os gestores das escolas envolvidas, discutimos e decidimos pela seguinte agenda:

Setembro: Inaugurações das Bibliotecas "Francisco Martins" e "José de Castro"
Outubro: Inauguração da "Biblioteca Escolar Claudia Santa Rosa"
Novembro: Inauguração da "Biblioteca Escolar Diógenes da Cunha Lima"

          Agenda cheia para o projeto.  Avante!