Livros e Professores: Binômio para a Excelência

12:38:00Rio de Leitura

Fonte: www.revistaemilia.com.br, acessado em 30 de abril de 2014



          Os livros contêm a memória da humanidade e constituem a engrenagem da formação leitora dentro e fora da escola. Contudo, a escola é um lugar de exceção, propicia a formação de leitores partindo de uma premissa: a leitura constitui ferramenta fundamental para o desenvolvimento do ser pessoal e social. Disso decorre que a relação do professor com os livros se torne instrumento idôneo para redimensionar a ação educativa e o objetivo transversal do fazer docente.

          Embora nem os livros, nem a leitura, nem a literatura, por si mesmos, possam ajudar as pessoas a sair de situações opressoras ou a se libertar, contribuem para que as pessoas possam intervir ativamente na mudança da própria realidade. Se alguém necessita dessa possibilidade, são justamente as crianças e os adolescentes que precisam de um mapa que os oriente a entender, percorrer e encontrar no intricado e desconcertante mundo criado pelos adultos. Cabe ao professor delinear esse mapa e, para isso, deve ter desenvolvido a competência leitora necessária para fazê-lo. Não há dúvida de que a leitura proporciona, tanto a professores quanto a alunos, a oportunidade de desenvolver competências que facilitem – entre outras coisas – aprender (e ensinar) a escutar, dominar a negociação e trabalhar na aula para ensinar a pensar e a atuar.


          Para isso, é necessário que a promoção da leitura como trabalho em rede deixe o espaço discursivo e se materialize na prática. Mas como?

1. Em primeiro lugar, repetirei uma máxima: criando dentro da escola espaços e tempos de leitura, de muitos e variados textos, propiciando no entorno das salas de aula e nas bibliotecas escolares o encontro com textos em diferentes formatos e que se alinhem com os objetivos escolares, assumindo a leitura como condição essencial ao desenvolvimento pessoal e social, como centro das práticas educativas (assim, no plural) e como eixo transversal.

2. Cabe, então, reverter o lema de desescolarizar a leitura, situação tão discutida entre os promotores de leitura, já que boa parte das práticas escolares baniram a condição prazerosa que exige as primeiras aproximações com a leitura para atingir o “trabalhoso prazer de ler”, que promove o tropeço na linguagem escrita e em suas ambiguidades e entonações. A leitura que se estuda na escola é algo alheio, como algo que está fora das pessoas e que devem ser carregada, levada, recordada, mas não vivida, nem sentida”.

3. Reivindicar a literatura dentro da escola. Isso passa pela criação de um “itinerário de leitura por parte dos professores que permita às novas gerações transitar pelas possibilidades de compreensão do mundo e de desfrutar da vida que a literatura lhes abre”, como disse Teresa Colomer na introdução de Andar entre livros.

4. Criar as condições para um verdadeiro trabalho em rede que foque sempre na enunciação, como comprovamos na prática. Esse trabalho se situa no contexto de políticas de leitura e escrita em torno da articulação de estratégias interdisciplinares que propiciem a competência discursiva na aula.

5. Formar o professor como leitor, como conhecedor das propostas textuais estéticas e externas e envolver a família no processo. A escola e a família constituem instituições básicas de qualquer formulação de planos integrais de leitura, por isso, o trabalho de sensibilização e capacitação de pais e professores se converte em etapas inevitáveis dessa natureza.

          Por fim, uma rota possível, que terá sentido somente a partir de uma verdadeira valorização da leitura que nos conecta com a realidade através da palavra que contém tudo e que é – sobretudo – uma forma de interagir com o real, de reinterpretá-lo. Essa leitura, enfim, que tomando emprestada uma expressão dos pescadores da costa oriental da Venezuela, constitui um fio de terra.


María Beatriz Medina nasceu na Venezuela. Formada em letras, autora, mediadora, pesquisadora na área de leitura e literatura infantil, professora, e consultora. Atualmente participa da Comissão Executiva do Banco do Livro, é presidente da filial venezuelana do IBBY e membro do Conselho de Sinergia.

Você também pode gostar de

0 comentários

Postagens mais visitadas

Imagens Flickr

Formulário de contato