Seminário Prazer em Ler; formação de leitores; Parnamirim

Dias 24 e 25 de Agosto de 2015... Guardados na memória do Rio que Flui

16:49:00Rio de Leitura

Guardar

“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.”

          O poema “Guardar”, de Antônio Cícero, foi apenas um dos tantos textos lidos no 9ª Seminário Prazer em Ler: "Direito à Leitura", ocorrido nos dias 24 e 25 de agosto, no Centro Municipal de Referencia em Educação Aluízio Alves

          Como nos informa o Aurélio, “Guardar” é "vigiar", "buscar algo com a vista" para defender, preservar ou proteger.  Em quaisquer desses sentidos, privilegia-se o sentido da visão. Ver algo que se oferece à contemplação, como uma ilustração feita com açaí e fogo de Maurício Negro, ou as cantigas populares rememoradas por Iaperi Araújo ou, ainda, a revisitação dos quadros de Picasso rememorados pela professora Tania Rosing.


Mãe de uma aluna leitora da Escola Neilza Gomes lê Drummond

          E vimos.  Quase seis centenas de professores contemplaram dados ainda desanimadores com relação ao perfil leitor do potiguar na relação do potiguar com a Leitura com o resultado da Pesquisa Certus/IDE, com a Profª Claudia Santa Rosa.  Estatísticas que poderiam estar em baús invioláveis, longe de serem reabertos.  




          O escritor Luiz Ruffato fez o contrário de guardar: compartilhou a sua biografia iniciando com a confissão de seu vicio pelos livros e como a "simples" entrada em uma biblioteca transformou a sua vida, estimulando os professores a prosseguirem nesse trabalho "de gerações".



          Maurício Negro passeou nas suas ilustrações.  Fábulas africanas e brasileiras, pintadas com açaí, fogo, enriquecidas com elementos como areia, café e anilina.  Uma riqueza só!  Em meio a uma literatura tão branca, Maurício trouxe a ‘negritude’ para os livros. 




          Tânia Rosing e Miriam Dantas uniram os dois "Rios": o Grande do Norte e o do Sul. A professora denunciou que já não "somos  mais homens eretos, assimilamos novas posturas sem questioná-las". O chamamento feito para os professores presentes é que fossem subversivo às regras. Na defesa da biblioteca como o um principal espaço da escola, Profª Tânia reiterou que ser professor é ser um leitor solitário, contemplativo e extensivo às redes móveis. 




          As professoras Araceli Sobreira, Ana Santana e Tatiana Mabel divagaram sobre memórias de leitura, relações de gênero e políticas públicas e revelou como a historia do livro se cruza com a historia da escola, mas sempre pertenceu a uma historia exclusivista. 


          Suzana Vargas abriu o seu baú quando disse:  "Se for falar de amor, lembro de poemas  do Cortazar, porque a literatura é minha referência e me ensinou tudo o que sei. A única certeza que temos na vida é acerca do seu movimento. E a literatura ajuda para entender essa dinâmica".



          Miramos e guardamos Iaperi Araújo, aquele que se declarou mestiço no seu discurso de posse diante dos imortais.  Ele trouxe os saberes populares: histórias de Trancoso, receitas, orações, cantigas de roda. Lembrou ao público presente como Djalma Maranhão construiu bibliotecas de taipa. Salizete Freire saudou a cultura popular e a literatura que eterniza essa cultura.



          Enfim... Oxalá essas palavras consigam guardar os conhecimentos acumulados nesses dois dias.  Tomara que se reproduzam em cada menino e menina que beberá dessas águas.   Como bem resumiu a Profª Tânia Rosing:  O termo ‘Seminário’ lembra-nos que estamos a plantar sementes;  A palavra ‘potiguar' aponta para nossa identidade.  Quando diz que é ‘prazer’, nos referimos à fruição de poder deliciar e ser através da leitura. E ‘leitura’ diz a que nos propomos. 



          Só através do fazer poético eternizaremos o que desejamos. Ficará, para sempre, guardado na memória de nosso coração. 

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