Mediadores de leitura, em peregrinação, revisitam vida e obra de Marina Colasanti

06:55:00Rio de Leitura

           A árvore que nos sombreia ofertando alívio, através de suas raízes, viaja no subsolo procurando água e nutrientes.  Nos primeiros sinais do inverno, as aves desenvolvem uma das mais fantásticas e impressionantes capacidades, migrando na busca da garantia de um clima mais agradável e alimento para os seus.  É  o vento que contribui para que seja feito o transporte dos grãos de um pólen para que outras flores germinem em outros espaços.

          Pois bem... O rio também sente necessidade de expandir para outros mares. E fluiu desembocando no mar de Pipa, na cidade de Tibau do Sul, neste último dia 7 de agosto de 2015.

          Leva, em suas águas, um cardume de leitores que anseiam por ver 'a dama dos contos'. Nossa jornada era para ver esta, descrita por ela mesmo assim:


“Um rosto oval, de maçãs altas, a linha fácil e cheia descendo até o queixo redondo, com uma doçura infantil. Os olhos grandes, plantados com sabedoria, são verdes, compridos, muito separados; toda vez que alguém busca em mim algo a elogiar, apega-se aos olhos, e ficou-me convencido que tenho olhos bonitos. Entre eles, ocupando mais espaço do que o estritamente necessário, meu nariz é elemento básico para manter viva a ilusão de que no dia em que resolver ficar bonita, será suficiente operá-lo. A boca, desenhada em redondos, tem o lábio superior pequeno e o de baixo cheio; divide-se, nítida, em luz e sombra, e somente os cantos virados para baixo a diferenciam de minha boca de menina.”

          Mais que apreciação da estética, nossa travessia de quase 70 quilômetros era para conhecer aquela que já ganhou oito prêmios Jabutis, dada a relevância da sua obra. Disse, em sua palestra: "Gosto de costurar com serpentes: com linhas que se arriscam e o ato criativo é perigoso porque há muita exposição. O risco da linguagem e o risco do reverso da linguagem."






          Depois de uma pergunta da mediadora Juscely Confessor, explanou: "É uma alegria muito grande quando há professores com quem podemos conversar. Vocês são a salvação do nosso país."

          Mais um dia memorável na coleção de trânsitos que ostentamos. Nossos meninos e meninas, ainda que com um passado completamente diferente de nossos alunos, podem experimentar o status de serem proficientes da leitura.  Uma verdadeira viagem!


          "Eu entrei na literatura muito cedo e pelo portão mais maravilhoso que se pode entrar. Pela guerra. Mudando de país sem levar nada. Para que não nos sentíssemos muito sozinhos, nossos pais nos presentearam uma coleção de clássicos universais. Ficamos íntimos de Ulisses, na Odisseia. E também de Dom Quixote, dos Mosqueteiros, de Edgar Alan Pole. Foi como tatuagem. Nunca largou de minha pele."








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