O Livro e o Alicerce de um Império

14:08:00Rio de Leitura

“Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, 
deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado”.

          Ouvi o trecho da mensagem de Lygia Bojunga escrito para o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, publicada em seu livro “Livro”, em uma escola municipal.  De onde estava, nas tentativas de eternizar o momento com minha máquina fotográfica, um pilar, um elemento estrutural me atrapalhava a visão das leituras feitas por professores e crianças do 5º ano durante o "Tributo ao Livro".



          No decorrer do evento, entendi melhor.  Aquela coluna que recebia os esforços diagonais da antiga edificação escolar bem representava metaforicamente o que um dos grandes nomes da literatura infantojuvenil brasileira escreveu.  E o Íris de Almeida sabe – e bem – que o experimento de formar leitores já se apresenta como realidade concreta.  




          Um sarau.  Um evento.  Algumas professoras presentes igualmente envolvidas com o objeto livro.  Inúmeros leitores. Uma viga de vigor.

          Os exemplos das leitoras irmãs Romana e Sofia – antigas alunas da instituição que compartilharam com os presentes a convivência afetiva com os livros já a fazem vencedoras (as irmãs conquistaram medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas).   As meninas reconheceram e agradeceram o alicerce dado pela escola, lendo textos poéticos de sua autoria.  


“Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, 
deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.” 
Lygia Bojunga 


          O texto hebraico do Salmo 139 pelo salmista Davi lido ao lado do elemento arquitetônico;  Roseana Murray e llan Brenman e lá estava a pilastra; palavras escritas de Cora Coralina, Ricardo Azevedo e Elias José ditas no baldrame concretado de uma escola leitora.   Mestres de obras e gestores, serventes e coordenadores pedagógicos, engenheiros e professores: todos leitores encantados com a literatura e, consequentemente, construtores de uma comunidade de sólidos leitores no bairro de Monte Castelo.  Prossigam!  Assim jamais ruirão!



P.S.:  Este relato, íntimo, pessoal e apaixonado, distanciado da linguagem objetiva e informativa em terceira pessoa, é dedicado às construtoras em construção Lygia Bojunga e Francilene Nunes (mediadora de leitura da Biblioteca Escolar José Xavier Cortez). Ainda que tenha acontecido hoje, esta matéria não apresenta a data propositadamente.  Esta ação de formar leitores inscreve-se todos os dias no iglu, na cabana, no palácio, no arranha-céu da Escola Íris de Almeida.


 “Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra – em algum lugar – uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.”   

Lygia Bojunga


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